Brasília foi palco de um momento simbólico para a produção de vinhos no país. No último dia 20 de abril, em meio às comemorações pelos 66 anos da capital, a vinícola Marchese apresentou ao público seu primeiro espumante de Chenin Blanc, um rótulo que nasce carregado de identidade, território e história. O lançamento aconteceu no tradicional Brasília Palace Hotel e contou com a presença da equipe do Brasília Comércio, que esteve no local para prestigiar e acompanhar de perto esse marco para o Cerrado de Altitude.

Mais do que um novo produto, o espumante representa uma conquista construída com técnica e sensibilidade. Elaborado pelo método tradicional, o mesmo utilizado nos grandes espumantes do mundo, o rótulo passa por segunda fermentação na própria garrafa e longo período de contato com as borras, resultando em elegância, perlage fina e complexidade. Antes mesmo de chegar oficialmente ao público, já havia sido reconhecido com medalha de ouro na Grande Prova Vinhos do Brasil, reforçando o potencial da região.
Produzido a partir da uva Chenin Blanc, o espumante expressa com precisão as características do Cerrado de Altitude. Cultivadas a cerca de mil metros de altitude, em solos de argila branca e sob grande amplitude térmica, as uvas alcançam equilíbrio entre frescor e maturação. A colheita de inverno, feita manualmente ao amanhecer, é resultado da técnica da dupla poda, prática que vem transformando a vitivinicultura em regiões não tradicionais do Brasil.

Na taça, o resultado é um vinho de perfil refinado: aromas de flores brancas, frutas frescas e um delicado toque mineral. Em boca, revela-se seco, vibrante e equilibrado, com acidez precisa, textura cremosa e final persistente, características que renderam, inclusive, um apelido carinhoso entre os produtores: “Crémant do Cerrado”.
A inspiração do rótulo também carrega significado. O ipê-branco, árvore símbolo de Brasília e conhecida por florescer no auge da seca, guia o conceito do espumante. No vinhedo da família Marchese, ipês foram plantados em homenagem ao patriarca Elias Marchese, representando valores como fé, resiliência, recomeço e vida. Em um encontro entre tempo, natureza e memória, a primeira floração coincidiu com a colheita das uvas que deram origem ao vinho, reforçando a conexão entre território e identidade.
Com produção limitada a apenas 600 garrafas, o espumante chega como um marco não só para a vinícola, mas para toda a vitivinicultura do Distrito Federal. Um brinde ao Cerrado, à inovação e à capacidade de transformar território em identidade líquida.









