O Distrito Federal iniciou nesta terça-feira (8) a liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, conhecidos como “Wolbitos”. A tecnologia, desenvolvida em parceria pelo Ministério da Saúde, Fiocruz e um laboratório privado, tem como objetivo reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya.
A Wolbachia não causa qualquer risco à saúde humana. Quando presente no Aedes aegypti, a bactéria impede que o mosquito transmita vírus. Mesmo que pique, ele não transmite doenças. Segundo Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito, “ao liberar mosquitos com Wolbachia, eles se reproduzem com os mosquitos locais. Aos poucos, a população passa a carregar a bactéria e deixa de transmitir arboviroses”.
As primeiras regiões que recebem os insetos no DF são Brazlândia, Sobradinho II, São Sebastião, Fercal, Estrutural, Varjão, Arapoanga, Paranoá, Planaltina e Itapoã. A Secretaria de Saúde informou que a liberação continuará até janeiro de 2026.

O Distrito Federal registrou em 2024 a maior incidência de dengue do país, com mais casos por 100 mil habitantes do que estados como Minas Gerais, São Paulo e Goiás. A medida é considerada estratégica para conter surtos recorrentes e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde.
O método Wolbachia foi desenvolvido nos anos 1980 e já está em uso no Brasil há mais de uma década. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade a receber os mosquitos em 2014. Desde então, o projeto foi implementado em outros 11 municípios brasileiros.
Pesquisas já apontam resultados expressivos. Em Niterói (RJ), houve redução de 69% nos casos de dengue, 56% de chikungunya e 37% de zika após a liberação dos mosquitos. Em Yogyakarta, na Indonésia, estudos indicaram queda de 77% na incidência de dengue.
Esses números reforçam o potencial da estratégia como uma das principais ferramentas no combate às arboviroses no mundo.
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