James Castro

Tempo no Mercado x Timing de Mercado

Você passa quanto tempo tentando descobrir o melhor momento para investir? Esperando a bolsa cair mais um pouco, esperando a alta confirmar, esperando aquele “ponto de entrada perfeito”?

Tenho uma notícia que vai te incomodar. Esse tempo todo investido em prever o mercado é, estatisticamente, o tempo mais mal gasto da sua vida financeira. Existe uma frase em inglês que resume isso melhor do que qualquer explicação. “Time in the market beats timing the market”. Em tradução livre, tempo no mercado vence o timing do mercado.

Isso quer dizer que muito mais importante do que acertar o melhor momento de comprar é simplesmente permanecer no mercado, não importa as circunstâncias. Os investidores que tentam fazer market timing performam pior que aqueles que apenas continuam comprando consistentemente.

Penny wise and pound foolish

Existe uma expressão americana que captura perfeitamente o erro mais comum dos investidores. “Penny wise and pound foolish”. Quem fica obcecado com pequenas economias acaba ignorando as decisões que realmente movem o ponteiro.

Você está olhando para o centavo enquanto a libra está escapando pela janela.

É o investidor que passa 3 horas pesquisando o CDB com 0,2% a mais de rendimento, mas nunca aumentou seu aporte mensal nos últimos 5 anos. É quem espera 2 meses para investir porque “a bolsa vai cair”, e nesses 2 meses perde dividendos e juros que jamais recupera. É quem fica trocando de corretora para economizar R$ 10 de taxa, enquanto deixa R$ 50 mil parados na poupança.

Eu observo isso constantemente nas minhas consultorias aqui em Brasília. As pessoas chegam preocupadas com a rentabilidade do mês, com o ativo que subiu mais, com o influenciador que indicou alguma “oportunidade”. Mas quase nunca chegam preocupadas com as 3 variáveis que realmente determinam o sucesso ou o fracasso de uma carteira de investimentos no longo prazo.

As 3 variáveis que realmente importam

Existem apenas 3 variáveis que você precisa dominar nos investimentos. Aporte, Alocação de ativos e Tempo.

Aporte é o quanto você consegue investir mensalmente. Quanto maior o aporte, maior o patrimônio acumulado no final. Simples assim. E essa variável depende quase exclusivamente da sua capacidade de gerar renda e controlar gastos. Está sob o seu controle.

Alocação de ativos é como você divide seu dinheiro entre renda fixa, ações, fundos imobiliários, ativos no exterior. Uma boa diversificação reduz seu risco específico, ou seja, reduz a chance de você quebrar por causa de um único evento ruim. Também está sob o seu controle.

Tempo é há quanto tempo você está investindo e por quanto tempo seu dinheiro fica investido. Os juros compostos só funcionam de verdade quando você dá tempo para eles trabalharem. Você não pode acelerar o tempo, mas pode começar mais cedo. Também está sob o seu controle.

E aqui está o que a maioria dos investidores não percebe. A rentabilidade, que é a variável que todo mundo passa o dia inteiro tentando otimizar, é a única dessas 4 variáveis que não está sob o seu controle. Você não decide quanto a bolsa vai render no próximo ano. Você não decide quanto seu fundo imobiliário vai pagar de dividendo. Você não decide se a Selic vai subir ou cair.

Mas você decide quanto vai aportar. Você decide como vai diversificar. Você decide quando vai começar e por quanto tempo vai ficar.

O exemplo que muda tudo

Outro dia vi um estudo comparando dois investidores em um período de 20 anos.

O Investidor 1 aportava R$ 1.000 por mês e teve rentabilidade média de 13,6% ao ano. Uma rentabilidade excelente, acima do que a maioria das carteiras entrega.

O Investidor 2 aportava R$ 1.200 por mês e teve rentabilidade média de 12,4% ao ano. Uma rentabilidade boa, mas 1,2 ponto percentual abaixo do primeiro.

Pergunta. Qual deles terminou com mais patrimônio depois de 20 anos?

A maioria diria que foi o Investidor 1, afinal teve mais de 1% a mais de retorno todos os anos durante 20 anos. É muita coisa.

Mas não. O Investidor 2 terminou com mais patrimônio. R$ 1.147.342 contra R$ 1.105.567 do primeiro. Apenas R$ 200 a mais por mês, mesmo com uma rentabilidade pior, foi suficiente para gerar R$ 41.775 a mais de patrimônio no final.

E o mais impressionante, esse resultado se repete ano após ano. Desde o primeiro ano o Investidor 2 já tem mais patrimônio que o primeiro, e mantém essa vantagem durante todo o período.

Pense no que isso significa. Aquele investidor que ficou 5 anos buscando o ativo “perfeito” para conseguir 1% a mais de retorno, poderia ter usado esses 5 anos para crescer profissionalmente, ganhar mais, aportar mais. E teria terminado com mais dinheiro.

O que isso significa para você

Eu defendo que o foco do investidor inteligente deve estar em ordem de prioridade. Primeiro, aumentar a renda para conseguir aportar mais. Segundo, manter uma alocação bem diversificada para reduzir riscos. Terceiro, investir consistentemente por décadas, sem interrupções.

A rentabilidade vem como consequência. Você não controla, mas se as outras 3 variáveis estão corretas, a rentabilidade adequada aparece naturalmente.

Isso significa parar de fazer algumas coisas que você provavelmente faz hoje. Parar de checar a cotação 5 vezes ao dia. Parar de ficar mudando de estratégia toda vez que vê um vídeo novo no YouTube. Parar de esperar o “momento certo” para começar a investir, porque o momento certo era ontem e o segundo melhor momento é agora.

E significa começar a fazer algumas coisas que você talvez não faça. Aumentar seu aporte mensal todo ano, mesmo que seja R$ 100 a mais. Investir em desenvolvimento profissional para ganhar mais. Diversificar melhor sua carteira em vez de concentrar tudo no ativo da moda. Ter paciência para deixar os juros compostos trabalharem.

A verdade que ninguém quer ouvir

Investir bem é chato. É repetitivo. É previsível. É comprar todo mês, na alta e na baixa, no medo e na euforia. É deixar o dinheiro lá e esquecer dele por anos.

Não tem glamour. Não vira vídeo viral. Não dá sensação de inteligência financeira ao contar para os amigos.

Mas funciona. E funciona melhor do que qualquer estratégia mirabolante de timing de mercado que você vai encontrar por aí.

Aqui está minha recomendação prática para essa semana. Pegue um papel e responda essas 3 perguntas. Quanto eu aporto por mês hoje? Como minha carteira está distribuída entre diferentes tipos de ativos? Há quanto tempo eu estou investindo de forma consistente?

Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas te incomodou, sabe por onde começar a melhorar.

Deixe nos comentários. Você se identifica mais com o investidor que busca timing ou com o que busca consistência? E se sente que precisa de ajuda para estruturar essas 3 variáveis no seu caso, entre em contato. Posso te ajudar a construir uma estratégia que faz seu dinheiro trabalhar por você de forma segura e eficiente, focando no que realmente importa.

 

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Sobre o Colunista

James Castro
Planejador financeiro
Sócio da Triestor Investimentos e especialista certificado CEA, cuido do patrimônio de empresários, médicos e profissionais liberais em Brasília. Defendo que fortuna nenhuma nasce de uma tacada genial: nasce de boas decisões pequenas, repetidas por anos e protegidas pela diversificação no exterior.

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