A capital federal volta a ocupar lugar de destaque nas telonas com “Pequenas Criaturas”, novo longa da diretora e roteirista Anne Pinheiro Guimarães, que estreia nos cinemas no próximo 27 de julho. Muito além de um drama familiar, o filme mergulha em temas como abandono, saúde mental, maternidade, resiliência e pertencimento, tendo Brasília como parte essencial da narrativa, não apenas como cenário, mas como personagem da história. O longa não é recomendado para menores de 16 anos.

Nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, o Brasília Comércio acompanhou a pré-estreia exclusiva realizada no Cine Brasília, a convite da Petit Premiere Brasília, representada no evento por Tati Pinardon, Renato Petit e Marcelo Fabrino. A sessão reuniu jornalistas, críticos, realizadores, amantes da sétima arte e profissionais que acompanham de perto o cinema nacional.
A noite também contou com a presença da diretora Anne Pinheiro Guimarães, que assina o roteiro e a direção do longa, além da protagonista Carolina Dieckmann e de grande parte do elenco. As crianças que participam do filme conquistaram o público com espontaneidade e carisma, abrilhantando ainda mais a estreia. Ao término da exibição, a reação foi imediata: uma longa salva de palmas tomou conta da sala, demonstrando o impacto emocional provocado pela obra.
Um filme premiado antes mesmo da estreia
“Pequenas Criaturas” chega aos cinemas cercado de reconhecimento. O longa foi o grande vencedor da mostra Première Brasil do Festival do Rio 2025, conquistando o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem de Ficção, além do prêmio de Melhor Direção de Arte. A produção também recebeu indicação ao Ingmar Bergman Award, no Festival de Cinema de Gotemburgo 2026, um dos mais importantes da Europa para novos realizadores.

Brasília é muito mais do que pano de fundo
Ambientada em 1986, durante os primeiros anos da redemocratização brasileira, a trama acompanha Helena (Carolina Dieckmann), que acaba de se mudar para Brasília quando o marido viaja ao exterior e desaparece sem dar notícias. Em uma época sem internet, redes sociais ou aplicativos de mensagens, o silêncio transforma-se em angústia e a protagonista precisa sustentar sozinha a família enquanto enfrenta o medo do abandono.
Mas um dos grandes méritos da produção está justamente em transformar Brasília em uma personagem viva.
A fotografia percorre os eixos, tesourinhas, superquadras e a monumentalidade do concreto para transmitir a sensação de isolamento vivida pela família. A arquitetura modernista reforça a solidão da protagonista e amplia a força emocional da narrativa.
Ao mesmo tempo, o filme presta uma bela homenagem a espaços que fazem parte da memória afetiva dos brasilienses.
Entre eles está o tradicional Restaurante Roma, na W3 Sul, retratado como um lugar onde Helena tenta reconstruir pequenos momentos de normalidade ao lado dos filhos. O restaurante simboliza a importância dos estabelecimentos tradicionais que atravessam gerações e fazem parte da identidade cultural da cidade.
Outro destaque é o Nicolândia, um dos maiores ícones do lazer em Brasília. No filme, o parque representa muito mais do que diversão: torna-se um raro espaço de liberdade para Helena, onde ela consegue respirar, ainda que por alguns instantes, em meio ao peso das responsabilidades. O contraste entre as luzes dos brinquedos e a rigidez do concreto traduz visualmente uma das mensagens mais fortes da obra.
Esses locais mostram como Brasília é rica em espaços que guardam histórias, afetos e memórias coletivas, reforçando o patrimônio cultural da capital.


Um olhar delicado sobre infância e saúde mental
Enquanto Helena tenta manter a família unida, o filho adolescente vive o difícil processo de amadurecimento diante da ausência do pai. Ao longo da história, acompanhamos sua transformação em um jovem sensível, que passa a assumir responsabilidades e demonstra um profundo cuidado com a mãe e o irmão mais novo, revelando que, mesmo em meio à dor, também encontra forças para sustentar a família. Já o filho caçula oferece o olhar mais delicado da narrativa. Ao criar uma relação especial com os animais das entrequadras, a criança encontra beleza onde os adultos enxergam apenas sofrimento, proporcionando uma reflexão profunda sobre esperança, empatia e as diferentes formas de lidar com a dor.
Um final que merece ser vivido
“Pequenas Criaturas” é um daqueles filmes que permanecem com o espectador muito depois de os créditos finais aparecerem.
E existe um motivo para isso.
O desfecho reserva uma surpresa que muda completamente a forma como enxergamos toda a trajetória dos personagens. Nós não vamos revelar esse momento. Afinal, queremos que você tenha a mesma experiência que tivemos durante a sessão de pré-estreia: ser surpreendido por um final emocionante, inesperado e capaz de provocar muitas reflexões.
Onde assistir
“Pequenas Criaturas” estreia nacionalmente em 27 de julho. Até a publicação desta reportagem, as redes exibidoras de Brasília ainda não haviam divulgado oficialmente os horários das sessões de estreia. A programação será disponibilizada nos próximos dias pelos cinemas participantes.
Mais do que um lançamento do cinema brasileiro, “Pequenas Criaturas” é também uma homenagem à capital federal e aos seus espaços mais emblemáticos, mostrando que Brasília pode emocionar tanto por sua arquitetura quanto pelas histórias humanas que abriga.







