Ricardo Sanchez

Apaguem as Luzes: A Noruega Engoliu a Seleção (e Eu Não Vou Passar Pano)

Foto aérea tirada de um ângulo zenital (totalmente de cima) mostrando onze jogadores da Seleção Brasileira de futebol masculino reunidos em um círculo perfeito (
União e foco: Jogadores da Seleção Brasileira reunidos no gramado antes do apito inicial. Crédito: Instagram / @cbf_futebol

Para você, leitor, meu querido, fiel leitor, achou que eu não fosse comentar a eliminação do Brasil? Achou que eu fosse ficar em cima do muro? Achou que eu fosse uma Neymarzete?

Não. Aqui é jornalismo, verdade, opinião séria e, mais do que isso, clareza dos fatos.

Enquanto tem gente por aí tentando achar “pontos positivos” em um vexame desse tamanho, eu me recuso a ser cúmplice do conformismo. Perder para a Noruega com o elenco que o Brasil tem não é apenas um tropeço tático; é uma vergonha histórica que merece ser dissecada sem anestesia.

O “Aviso Prévio” aos 2 minutos e 39 segundos

O primeiro grande erro do Brasil não foi um passe errado ou uma falha de marcação isolada. Foi de postura.

Para ser bem exato: aos 2 minutos e 39 segundos do primeiro tempo, a Noruega balançou as redes. Sorte a nossa que o VAR salvou e o gol foi anulado. Mas ali o crime já estava desenhado.

Os caras entraram em campo acelerando, com vibração, foco, atenção e uma fome de bola que parecia que não comiam há uma semana. Entraram com desejo, com propósito, com o sangue correndo fervendo nas veias norueguesas! Pareciam vikings famintos correndo atrás da presa.

E o Brasil? Bem, o Brasil entrou em ritmo de amistoso de férias. O gol anulado era para ter sido o despertador, o sacode que a comissão técnica precisava dar na beira do campo. Não viram que os caras estavam jogando a vida? Tomar um sufoco daqueles antes mesmo do cronômetro marcar três minutos mostra uma desconexão absurda com o tamanho de uma Copa do Mundo. Tomamos um “aviso prévio” de eliminação e fingimos que não era com a gente.

11 minutos e 11 segundos: O Erro de Laboratório do “Mister”

Aqui cabe dizer que não estamos procurando culpados nem individualizando as coisas, mas há fatos que precisam ser ditos, e com nomes.

Cronômetro cravado em 11 minutos e 11 segundos do primeiro tempo. Pênalti para o Brasil. A chance de ouro para calar os vikings e tomar as rédeas do destino. E aí veio um grande erro de Carlo Ancelotti. O Mister errou feio.

Ancelotti se baseou friamente nos dados dos treinamentos, olhou a planilha de aproveitamento tecnológico e decidiu que Bruno Guimarães seria o batedor oficial. Ora, faça-me o favor! Copa do Mundo não é planilha de Excel. É casca, é peso de camisa, é história.

Vinícius Júnior já conhece o Mister há uma eternidade, cansa de carregar o piano em momentos de pressão e já cansou de bater pênaltis pesados pelo Real Madrid, seja no Campeonato Espanhol ou na Champions League. Se não fosse o Vini, tínhamos Matheus Cunha, o astro do Manchester United que vive sob a pressão da Premier League diariamente. Quer experiência e liderança real? O Casemiro, que já foi capitão e multicampeão com o próprio Ancelotti no Real Madrid e hoje brilha no Manchester United, estava ali. O próprio Danilo, nosso zagueiro e lateral experiente, tinha bagagem para assumir o rojão.

Mas não. A escolha foi Bruno Guimarães. Com todo o respeito ao futebol do Bruno, em toda a sua carreira ele os bateu nove pênaltis oficiais e errou três deles, contando com esse fiasco contra a Noruega. O aproveitamento do homem na marca da cal é pior do que sinal de celular no subsolo! Esse preciosismo de laboratório do Ancelotti foi o momento crucial para a pane mental que tomou conta do time o que vinha depois.

O Paredão Invisível: O Brilho dos Goleiros e a Redenção de Alisson

Apesar do baque do pênalti perdido, o jogo seguiu completamente aberto, lá e cá, disputado palmo a palmo. E se o placar não foi um tiroteio ainda maior, a culpa tem nome e sobrenome nas duas traves. Os goleiros deram um show. Do lado de lá, o arqueiro norueguês que brilha no Milan, na Itália, operou milagres. Do lado de cá, tivemos uma redenção silenciosa.

Vamos ser muito honestos aqui: o Alisson por muitas vezes foi duramente criticado e cobrado pela torcida, inclusive por este que vos escreve, por não fazer defesas milagrosas ou “salvar” a Seleção em momentos de pane geral. Mas contra a Noruega? O homem jogou uma barbaridade. Ele fez defesas difíceis, e não foram poucas não, foram muitas!

Apesar de nós já sabermos o resultado amargo, a verdade nua e crua é uma só: se não fosse pelo Alisson, a tragédia teria sido muito pior e mais bolas teriam entrado no gol brasileiro. O homem tem meu total respeito. Ele honrou e representou muito bem uma camisa que já foi de Gilmar dos Santos Neves, de Cláudio André Taffarel, de Marcos, de Rogério Ceni, de Dida, de Emerson Leão e outros tantos goleiros de altíssima qualidade do nosso futebol. Alisson saiu de campo gigante, enquanto o resto do time parecia encolher.

O Desespero de Ancelotti e o “Efeito Neymar”

Fim do primeiro tempo: 0 a 0. Voltamos para a etapa final e o placar insistia em não sair do lugar. O regulamento era claro: tínhamos mais 45 minutos para fazer pelo menos um gol. Se ninguém marcasse, prorrogação; persistindo o empate, a loteria dos pênaltis. Havia tempo. Havia jogo.

Mas Carlo Ancelotti resolveu se desesperar.

Aos 22 minutos do segundo tempo, 67 minutos de jogo no cronômetro geral, o Mister tomou a decisão que implodiu o nosso meio-campo: colocou Neymar Júnior. Vamos falar de fatos? O Neymar nunca ganhou nada expressivo com a Seleção Brasileira principal além daquela Copa das Confederações de 2013. Depois disso, o que sobrou foi o título de maior artilheiro da história da Seleção, o que, convenhamos, na era atual do futebol não significa muita coisa se não se reverte em taça do mundo no armário.

Para piorar a lambança tática, Ancelotti sacou o Gabriel Martinelli, que estava muitíssimo bem na partida, e o Rian, que também fazia um jogo seguro e compenetrado. Quando o Neymar pisou no gramado, o time degringolou por completo. Passamos a jogar com um a menos na recomposição e a equipe precisou ser toda reestruturada às pressas, perdendo a intensidade que vinha segurando os caras.

O Cometa Não Perdoa e o Vexame se Consolida

Retrato vertical em plano médio do jogador Erling Haaland em pé no centro do gramado, vestindo o uniforme principal da Noruega (camisa vermelha com detalhes em azul e calção branco). Ele segura uma baqueta de tambor de madeira na mão esquerda, com o corpo voltado para frente e olhando para cima com expressão de orgulho. Ao fundo, seus companheiros de equipe estão sentados no gramado da arena lotada, participando da comemoração.
Comandante do ataque e da festa: Haaland celebra a grande fase da seleção norueguesa em campo. Crédito: Instagram / @fifaworldcup

O castigo por brincar com a tática em uma Copa do Mundo é fatal. Faltando meros 11 minutos para acabar o jogo, a marcação afrouxou e cometeram o crime capital: deixaram a bola chegar limpa no Haaland.

Ali, meu amigo, foi o fim da linha. Fim da linha, fim da Copa. Naquele exato segundo, eu virei para todos os que estavam assistindo ao jogo comigo e decretei: “Um abraço. O Brasil está eliminado”. O cometa norueguês guardou.

O que se viu depois disso foi um desespero patético. Uma Seleção sem nenhum tipo de entrega, sem proposta de jogo coerente, sem bola parada, sem jogada ensaiada e, o pior de tudo, sem coração. Entregues ao azar, assistimos de camarote o Brasil tomar o segundo gol da Noruega nos acréscimos.

A humilhação estava completa. Fomos engolidos pela estratégia nórdica e pela nossa própria soberba tática.

Foto tirada de cima mostrando uma jogada de futebol em um gramado verde. O atacante Erling Haaland, vestindo o uniforme vermelho da Noruega, observa a bola entrar no canto esquerdo do gol. O goleiro adversário, de uniforme roxo, está esticado no chão tentando a defesa, sem alcance. Próximo a eles, dois jogadores da Seleção Brasileira (um caído de ponta-cabeça após tentar o desarme e outro de pé observando) acompanham o lance.
No detalhe e de ângulo superior, Erling Haaland mostra seu faro de gol implacável na área. Crédito: Instagram / @fifaworldcup

A Crise de Identidade e o Fim do “Homem na Sombra”

No fim das contas, a pergunta que fica martelando na cabeça de todo brasileiro é simples: por que o Brasil teima em tentar jogar como os europeus, se nós claramente não conseguimos?

Temos vários países europeus ainda vivos nesta Copa do Mundo, mas eles jogam dentro de um sistema próprio, refinado há décadas. O que eles não têm, e que nós sempre tivemos de sobra, é o improviso, a ginga, a alegria, a malícia e a pura qualidade técnica do futebol de rua. Tentamos copiar o gesso tático europeu e, no processo, castramos a nossa maior virtude.

Para além da filosofia, faltou a malandragem básica do futebol brasileiro. Alguém consegue me explicar por que o Carlo Ancelotti não colocou um homem de contenção, fosse o Casemiro, o Bruno Guimarães, o Danilo ou quem quer que passasse pela frente, para andar colado, feito uma sombra, atrás do meia Martin Ødegaard?

O Ødegaard é o cérebro daquela equipe. É ele quem limpa as jogadas e coloca as bolas com açúcar para o cometa Haaland finalizar. Antigamente, no futebol que nos fez pentacampeões, o marcador ia atrás da sua presa até se ele decidisse ir ao vestiário ou ao banheiro no meio do jogo! Isso simplesmente não aconteceu. Deixaram o cara jogar de terno e gravata.

O Respeito que Sobrou Lá e Faltou Cá

Por ironia do destino, quem acabou demonstrando respeito pela nossa história foi o próprio adversário. O cometa Haaland não precisou nem “lamber os ossos” para nos destruir. Por puro respeito à história da única seleção pentacampeã do mundo, o artilheiro norueguês mal comemorou os gols que marcou. Ele sabe o peso que aquela camisa amarela já teve.

Pena que esse mesmo respeito passou longe dos jogadores da Seleção Brasileira.

Como eu já disse em matérias anteriores, faltou entrega. Faltou brilho. Faltou o mínimo de consideração e respeito por um povo que parou as ruas, que chorou, que torceu e que é genuinamente apaixonado por este país e por essa Seleção. Fomos eliminados sem honra, por um time engessado que esqueceu que o maior patrimônio do futebol brasileiro é a sua própria essência.

O Fantasma de 2030: O Fim do “Nome” e o Peso do Fracasso

Para finalizar, infelizmente, creio eu que a era Neymar ainda não acabou. Conhecendo o histórico, se der na telha dele, em 2030 ele vai querer se autoconvocar e jogar mais uma Copa do Mundo, infelizmente, arrastando a camisa do Brasil com ele. Mas afinal, quem foi Neymar? Quem é Neymar?

No passado, fomos testemunhas de um jogador com técnica e qualidade raras. Hoje em dia? Ele simplesmente não joga. E o futebol moderno já cansou de provar que não se joga mais com nome, muito menos com peso de camisa. Para vencer, tem que ter vontade, entrega, personalidade e brilho nos olhos.

Quer uma prova real disso? Por que é que o Neymar Júnior não está jogando no Inter Miami ao lado de Lionel Messi e Luis Suárez, seus grandes amigos e companheiros daquele famoso trio MSN no Barcelona, que foi, disparada, a melhor época da carreira dele? A resposta é simples e dolorosa: porque até eles sabem que, hoje, o Neymar não vai entregar nada em campo. O foco dele mudou; a preferência agora é a vida badalada fora dos gramados.

Enquanto o Brasil insistir em depender de quem não quer estender os braços completamente e se doar pela pátria, o tão sonhado hexa não passará de uma miragem. Afinal de contas, o “exa” nós já somos… mas de eliminação.

Perdemos em 2006, caímos em 2010, fomos humilhados em 2014, choramos em 2018, batemos na trave em 2022 e fomos engolidos agora, em 2026. Seis edições consecutivas caindo pelo caminho. Seis vezes “exa” eliminados.

Eu paro por aqui, com o estômago embrulhado, mas com a verdade dita.

E você, meu caro leitor? Diante desse cenário de terra arrasada, quem você acha que será o grande campeão da Copa do Mundo de 2026? Deixe sua opinião aqui nos comentários e vamos debater!

O Bigode da Verdade: A Resposta de Rivellino

Foto histórica tirada de costas dos jogadores Pelé (número 10) e Rivelino (número 11), vestindo as camisas clássicas da Seleção Brasileira com calções azuis e meias brancas. Eles estão caminhando juntos no gramado de um estádio lotado.
A definição de futebol arte: Pelé e Rivelino dividindo o mesmo gramado com o peso da história nas costas. O ápice do futebol brasileiro resumido em um clique. Crédito: Divulgação / Instagram @rivellino1010

Para quem ainda acha que este colunista está pegando pesado demais, eu fecho essa reflexão trazendo a sabedoria de quem realmente sabe o que é honrar a Amarelinha.

Recentemente, Roberto Rivellino, nosso eterno tricampeão de 1970 com aquele esquadrão imbatível, foi questionado por um jornalista:

— “Riva, como seria um jogo entre o Brasil de 70 e o Brasil de 2026? Qual seria o placar?”

O Riva, com aquela humildade sincera de quem guarda o segredo do futebol no bigode, respondeu na lata:

— “Olha, nós ganharíamos de 1 a 0 ou, no máximo, 2 a 1.”

Espantado com o placar magro, o jornalista rebateu:

— “Mas só isso, Riva?!”

E a resposta do mestre foi cirúrgica:

— “Sim. Primeiro porque nós estaríamos desfalcados, já que o Rei Pelé infelizmente já morreu. E segundo, porque a maioria de nós que está viva já passou dos 80 anos.”

Genial. Rivellino desenhou o cenário real: uma seleção de octogenários, mesmo cansada e desfalcada do maior de todos os tempos, ainda entraria em campo com mais alma, mais malícia e mais futebol do que esse time engessado e sem coração comandado por Carlo Ancelotti.

Contra os fatos e contra a história, não há argumentos.

Compartilhe nas redes sociais!

Um oferecimento de:

Premiapão

Principais Categorias

—– Anúncio nativo —–

—– Anúncio nativo —–

Outros destaques

Complexo celebra aniversário de 17 a 19 de setembro e apresenta novidades para o segundo ano de atividades O Oscarito

Sobre o Colunista

Ricardo Sanchez
Jornalista especialista em esportes
Jornalista com mais de 20 anos de formação, empreendedor, comunicador e estrategista de mídia, com ampla atuação em comunicação, conteúdo, assessoria de imprensa, gestão de imagem pública e privada e desenvolvimento de negócios. Ao longo de mais de duas décadas de mercado, construí experiência no planejamento e execução de estratégias de comunicação, liderança de equipes e desenvolvimento de projetos em diferentes segmentos. Possuo vasta experiência em assessoria de imprensa, posicionamento institucional e gestão de imagem, além de atuação em campanhas políticas, liderando equipes de comunicação em São Paulo, Bahia e Brasília. Também desenvolvi formação em teatro na Célia Helena Centro de Artes e Educação, experiência que ampliou minha visão sobre narrativa, comunicação, presença, expressão e conexão com o público. Sou CEO da PremiaPão Brasiliense e fundador do Herança Preto e Branco, hub de mídia voltado ao universo do Corinthians, criando conteúdos, entrevistas, coberturas, projetos e oportunidades que conectam audiência, entretenimento e marcas. Minha atuação une comunicação, mídia, esporte, relacionamento e desenvolvimento estratégico, com foco em transformar ideias em conexões, audiência e resultados.

Me siga nas redes sociais

Veja outros artigos.