O livro “Sozinho eu não consigo!” será lançado no dia 27 de maio, no Bar Beirute, em Brasília, com entrada gratuita e aberta ao público. A obra é assinada por Elizete Souza, com coautoria de Gabriel Gontijo, Janaína Araújo e Diogo Gontijo, e propõe uma reflexão sobre a realidade de crianças e adolescentes que crescem em instituições de acolhimento e precisam construir, fora dos laços familiares tradicionais, referências de pertencimento e apoio emocional.
A publicação combina memória, ficção e análise social para acompanhar trajetórias marcadas por vulnerabilidade, abandono, amadurecimento precoce e busca por vínculos afetivos. Mais do que narrar experiências individuais, o livro coloca em evidência o apadrinhamento afetivo como alternativa de convivência e suporte para jovens em situação de acolhimento institucional.
O tema dialoga com dados recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseados no Censo SUAS 2023. O levantamento aponta que 368 jovens entre 18 e 21 anos ainda vivem em serviços de acolhimento destinados a crianças e adolescentes, além de 952 adultos entre 22 e 59 anos em situação semelhante. Os números evidenciam fragilidades na transição para a vida adulta e nas políticas de suporte a egressos, mesmo com a ampliação de repúblicas assistidas, ainda insuficientes diante da demanda.
Nesse contexto, a obra propõe uma discussão sobre vínculos, permanência e responsabilidade coletiva, a partir da vivência da autora como madrinha afetiva. Elizete Souza destaca que o apadrinhamento afetivo revela uma dimensão muitas vezes invisibilizada: a importância da presença contínua.
“Escrever este livro foi revisitar uma história que me transformou profundamente. Quando falamos de crianças e adolescentes em acolhimento, muitas vezes pensamos na falta material, mas existe uma ausência ainda mais silenciosa: a de alguém que permaneça”, afirma a autora.
Ao longo da narrativa, o livro também evita uma abordagem idealizada do tema, apresentando relações atravessadas por afeto, medo, resistência e reconstrução de confiança após rupturas e perdas.
O coautor Gabriel Gontijo ressalta o impacto dos vínculos afetivos na construção da autonomia. “Quando a gente cresce acostumado a se virar sozinho, demora a acreditar que alguém pode permanecer”, diz.
Já Janaína Araújo destaca a necessidade de ampliar o olhar sobre esses jovens. “A nossa história não pode ser resumida ao abandono. Temos sonhos, personalidade e vontade de ser reconhecidos para além da dor”, afirma.
Para Diogo Gontijo, a obra também funciona como um chamado à participação social. “Às vezes, o que transforma é saber que existe alguém disposto a ouvir, orientar e caminhar junto”, completa.
Além de abordar o apadrinhamento afetivo, o livro amplia o debate sobre acolhimento institucional, autonomia, adoção tardia e redes de apoio, destacando os desafios enfrentados por jovens que deixam os abrigos ao atingir a maioridade.
Serviço – Lançamento de “Sozinho eu não consigo!”
Data: 27 de maio (quarta-feira)
Horário: 18h30 às 21h30
Local: Bar Beirute, 109 Sul, Brasília
Entrada gratuita





